terça-feira, 10 de julho de 2012

"Agora seus lábios eram gelados,e eu os acariciavam lentamente desde os teus olhos até o contorno daqueles lábios pálidos,me veio a memoria todas as lembranças vivas,o teu sorriso no meio de um beijo,o teu cabelo que mudava de cor conforme o tempo,agora estava ali diante de mim,indefesa,só a pele,sem nada dizer..sem nenhum gesto pra corresponder,eu queria ter te dito as ultimas palavras,mas se eu soubesse que seriam as ultimas acho que nada falaria,contemplaria teus olhos abertos,tua boca vermelha,e seu modo de explicar o que nunca havia explicação,mas você fazia tantas caras e bocas,como se elas explicassem alguma coisa,eu guardei tantas memorias pra que?para relembra-las sozinha em uma sexta-feira as 4;45 de uma madrugada gelada,porque só eu as guardei,porque ,porque os nossos momentos foram nossos,é só nossos.Enquanto eu acariciava teu pescoço gelado sob véu  e flores,percebi que você estava com a minha gargantilha,e eu com a sua,eu segurei tão forte o choro,porque mais uma vez me pego me torturando com as lembranças,algumas memorias talvez fossem melhores não terem existido,pois tortura mais que outro sentimento,pois da uma saudade inconsolável,do que eu acabaria de perder..(..)Imagine com o passar do tempo?já ouvi pessoas dizerem que passa..é talvez,mas eu sei que por muito tempo virão uma tona de lembranças,e eu sei também que será impossível evita-las,então ali estava eu naquele ambiente familiar,acariciando aquela memoria horrível dela,que seria como um fim sem palavras,só com a minha despedida,então eu me lembro de como eu queria ter dito tantas coisas,não só pra você mas pro mundo que nos cercava quem eramos nós,mas ali estava você..e eu sozinha,e o que eu poderia ainda fazer?..Ao ver que as pessoas não compreendiam nada,eu peguei aquela minha mochila de pano que você gostava,e sai por aquela porta de vidro,olhando o reflexo das pessoas se questionando quem era eu,eu gostaria de ficar ali observando você os seus detalhes.mas você sempre soube que eu não gostava de questionamentos,e como eu ficava enfurecida depois de qualquer um,eu sai dali em busca de um rumo,mesmo que não houvesse nenhum ..e na verdade não havia mesmo,eu sentei em um banco que eu sempre tinha a visão dele quando fazia o meu caminho pra casa..e cada dia eu me deparava com uma nova cena,pessoas sentadas,algumas cansadas,outras fazendo planos,alguns se beijando,cada dia era uma nova cena agora eu o ocupava ,eu era a minha cena..e eu me encontrava ali sem nenhum sonho ou plano,coberta de chuva e de lagrimas,e então mais uma memoria vem..debruçada sobre minha barriga você perguntou "se um dia eu morrer antes que você,você vai chorar?"eu no entanto disse não,você apenas olhou com aquele olhar que só você conseguia fazer e me deu um biliscão rs..e olha só agora ali estava eu,quase me desmanchando de lagrimas,eu sai dali,não me consolei em ninguem,eu já sei o que eu iria ouvir "vai passar".Merda,eu sei que vai,mas o que eu faço com as lembranças?acho que isso ninguém saberia como me explicar,é eu sei como seria..eu levantei e fui embora,não esperei ver o final,..eu sai dali e nada sobrou fora as lembranças que só me torturariam..nada restou!"

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